Texto adaptado por Ayrton Salvanini de Adoniran Barbosa.
O ator caracterizado vive Adoniran e é acompanhado por quatro músicos:
Tuta: percussão e voz.
Oswaldinho Viana: violão e voz.
Pratinha: bandolin, flauta, cavaquinho e voz.
Iuri: teclados, violão e voz.
Em apresentação desde 2000.
A) Papo informal sobre Adoniran.
B) O espetáculo é feito em uma mesa de bar, lampião, textos compilados e músicas de Adoniran. Abaixo um texto sobre "erros" de português (aqui foram reunidos diversos textos sobre o assunto de Adoniran e criado um só. Com outros textos foi feita a mesma coisa).
"Num sei escrevê, nem falá e assino em cruiz. O certo é drome e não dorme, é drento e não dentro, dispois nóis vai, dispois nóis vorta, o certo é talba e não tábua, é odácia e não audácia, é só percurá no dicionário na letra "o" ou " h" que talá! Às veiz cum doutor eu falo "nós devíamos", mas é isquisito. Ninguém queria nada co'as minhas letras, tinham vergonha de falá; nóis vai, nóis qué, burrice deles, né? Nóis peguemus, imagine, não queriam nada com isso, achavam que era ignorância minha... Não era, era verdade, a maioria fala assim. Porque eu sei fala errado, então fica simpático, do jeito que eu falo. Agora, quem não sabe falá errado, fica chato, fica ruim. Minha irmã mesmo, que mora no Rio, achava horríve meu jeito de falá. Hoje ela gosta, porque pegou, esse meu modo de fala virou moda, como todo mundo diz. Errar também é uma arte, é difícil errar certo, sabia? Que erro tem no Trem das Onze, que erro tem no Samba do Arnesto? E olha, eu sou o único compositor que cria polêmica nas escolas, as professoras ficam discutindo com os alunos que é assim que se fala mas não é assim que se escreve. Pode vir vinte Mobral, todos continuarão a falar errado. O povo fala assim. Faço samba pra pobre, comigo não tem essa de gran fino. Afinal todos os meus amigos são crioulos, e como é que eles iam me entendê, se me metesse a falá difíce, todo cheio de "esses" e "erres"? Linhás falo errado porque quero e gosto. Todo mundo fala assim e eu uso no meu samba sem forçar. Quando faço a letra olho bem e me pregunto: Dá pra entender? Dá, então vai... Devo ao povo o meu sucesso. Na minha rua não tem luz, na minha rua não tem água, é poço se quisé e fossa se quisé. Não tem luz, vou mais cedo pra casa por causa dos assaltantes.